Novo modelo de crédito imobiliário promete ampliar acesso à casa própria e impulsionar a construção civil

Novo modelo de crédito imobiliário promete ampliar acesso à casa própria e impulsionar a construção civil

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou um novo modelo de direcionamento dos recursos da poupança para o crédito imobiliário, que promete transformar o acesso à moradia no país e movimentar o setor da construção civil.

Mais crédito e maior alcance social

A proposta eleva gradualmente o percentual mínimo de aplicação dos depósitos de poupança em crédito imobiliário dos atuais 65% para 100% até 2027. Deste total, 80% deverão obrigatoriamente financiar imóveis enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com custo efetivo total limitado a 12% ao ano, incluindo juros, tarifas e comissões.

Segundo o Banco Central, a medida poderá liberar R$ 111 bilhões em novos recursos já no primeiro ano de vigência um aumento de R$ 52,4 bilhões em relação ao modelo atual. Desse montante, R$ 36,9 bilhões estarão imediatamente disponíveis para novos financiamentos.

Novos prazos e incentivos ao crédito

Para estimular contratos de longo prazo, o CMN permitirá que operações de crédito com prazos de 30 anos ou mais sejam contabilizadas por cinco anos na exigência de direcionamento dos bancos. Financiamentos para imóveis de até R$ 1 milhão poderão ser computados por até sete anos, beneficiando famílias de renda média e baixa.

Outra mudança relevante é o aumento do valor máximo do imóvel financiado pelo SFH, que passa de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões. Com o novo teto, os compradores poderão usar o FGTS para abater parcelas, reduzir o valor financiado ou realizar amortizações.

Mais liquidez para o sistema bancário

O Banco Central também reduziu o volume de recursos retidos como depósito compulsório o dinheiro que os bancos precisam manter parados no BC. Agora, até 5% dos valores aplicados em crédito imobiliário poderão ser deduzidos dessa obrigação. Na prática, essa mudança libera capital e aumenta a capacidade de concessão de crédito, fortalecendo o mercado e impulsionando a construção civil.

Impactos econômicos e contábeis

Para o setor contábil e financeiro, o novo modelo traz um impacto duplo: estimula a economia real, ao gerar novos empreendimentos, e exige planejamento adequado das instituições financeiras. Empresas ligadas à construção e à incorporação imobiliária devem revisar seus cenários de crédito e projeções tributárias, especialmente diante da Reforma Tributária que altera a base de cálculo de PIS e Cofins a partir de 2027.

O aumento da liquidez no mercado imobiliário também deve gerar maior movimentação nos balanços patrimoniais, especialmente no segmento de holdings patrimoniais e sociedades de propósito específico (SPEs), que poderão se beneficiar de juros mais acessíveis e linhas de crédito mais longas.

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