Falhas no envio de dados do IR pelas empresas colocam contribuintes na malha fina em 2026
Um erro que nasce dentro das empresas está virando dor de cabeça para milhares de trabalhadores na hora de declarar o Imposto de Renda em 2026. Problemas no envio das informações fiscais ao sistema da Receita Federal têm provocado divergências entre os dados oficiais e aquilo que o contribuinte informa na declaração, aumentando os casos de retenção em malha fina.
A origem dessa confusão está na mudança do modelo de apuração do imposto retido na fonte. Com o fim da Dirf neste ano, a Receita deixou de usar aquela declaração anual que, por muito tempo, concentrou os dados de rendimentos, retenções e planos de saúde empresariais. Agora, o cruzamento das informações passou a depender principalmente do eSocial e da EFD-Reinf, duas plataformas digitais mais detalhadas e exigentes no preenchimento.
Na prática, o problema é simples de entender: quando a empresa informa algo errado nesses sistemas, o trabalhador pode acabar sendo atingido mesmo tendo preenchido sua declaração com base no informe de rendimentos recebido. Ou seja, o erro não está necessariamente no contribuinte, mas na forma como os dados foram transmitidos ao Fisco.
Entre as falhas mais comuns estão a classificação incorreta do décimo terceiro salário e o registro equivocado da data dos rendimentos. Em alguns casos, o 13º foi lançado como rendimento tributável comum, quando deveria constar como tributação exclusiva na fonte. Também há situações em que salários foram informados pelo mês de competência, e não pela data real do pagamento, que é o critério considerado pela Receita.
O reflexo disso já apareceu nos números. Segundo estimativas divulgadas, o volume de declarações retidas em malha fina está cerca de 2% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Considerando o universo de declarações já entregues até meados de abril, isso representa algo próximo de 260 mil contribuintes a mais com pendências fiscais.
Mesmo com esse cenário, a orientação para o trabalhador é manter a calma e seguir o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora. Se esse documento estiver correto, a recomendação inicial é aguardar. Em muitos casos, se a empresa corrigir as informações diretamente no eSocial ou na EFD-Reinf, a inconsistência pode desaparecer automaticamente, sem necessidade de ação imediata do contribuinte.
Agora, se a empresa emitir um novo informe com valores alterados, aí sim será preciso entregar uma declaração retificadora. Esse ajuste é o caminho para alinhar os dados informados à Receita e regularizar a situação.
O episódio reforça um ponto que muita gente só percebe quando a malha fina bate na porta: a declaração do Imposto de Renda não depende apenas do que a pessoa física informa, mas também da qualidade dos dados enviados por empregadores e demais fontes pagadoras. Quando a base vem torta, o cruzamento acusa. E o problema sobra para quem estava achando que tinha feito tudo certo.
