TST proíbe cobrança obrigatória de contribuição sindical patronal

TST proíbe cobrança obrigatória de contribuição sindical patronal

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que empresas não podem ser obrigadas a recolher contribuições para sindicatos quando não há filiação patronal. A decisão reforça os princípios da livre associação sindical e da autonomia das entidades.

O caso em análise

A Microsum Tecnologia da Informação Ltda., de Goiânia (GO), foi acionada pelo Sindicato dos Empregados no Comércio no Estado de Goiás (Seceg), que reivindicava o pagamento de uma parcela chamada “benefício social” referente aos anos de 2020 e 2021.

Segundo as normas coletivas firmadas em 2018, as empresas deveriam recolher R$ 22 por mês, por empregado, para custear auxílios em situações como nascimento de filho, doença, acidente ou falecimento. O sindicato alegou que esse valor não se destinava a despesas administrativas, mas ao custeio direto de benefícios aos trabalhadores.

A empresa, por sua vez, argumentou que já possuía seguro de vida contratado para seus empregados e que, por não ser filiada ao sindicato patronal, a cobrança era indevida.

Divergências nas instâncias

1ª instância (Vara do Trabalho de Goiânia): rejeitou a cobrança do sindicato.

TRT da 18ª Região (TRT-18): reformou a decisão e considerou válida a cláusula coletiva, sustentando que o benefício favorecia os empregados e que sua retirada poderia desequilibrar as negociações.

A decisão final do TST

Ao analisar o recurso da Microsum, o ministro Alberto Balazeiro, relator do caso, destacou que a cobrança é inconstitucional, pois representa receita destinada ao sindicato custeada por empresas não filiadas.

A decisão mencionou:

Constituição Federal – garante a liberdade de associação sindical.

Convenção 98 da OIT – protege contra práticas que forcem o vínculo associativo.

Súmula Vinculante 40 do STF – estabelece que contribuições confederativas só podem ser exigidas de empresas efetivamente filiadas ao sindicato.

Com isso, a contribuição foi considerada ilegal, consolidando o entendimento de que nenhuma entidade sindical pode impor cobrança compulsória de valores patronais sem filiação.

👉 Em resumo: A decisão do TST cria um importante precedente, reafirmando que empresas só estão obrigadas a contribuir financeiramente com sindicatos quando voluntariamente filiadas.

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