Tokenização de dívidas: o crédito do futuro já movimenta bilhões no Brasil
A tecnologia que revolucionou o universo das criptomoedas agora está abrindo espaço também para o mercado de crédito. A tokenização de dívidas — processo que transforma ativos financeiros em representações digitais dentro da blockchain já é utilizada por empresas de pequeno e médio porte como alternativa para captar recursos, movimentando bilhões de reais no país.
Como funciona a tokenização
Na prática, a tokenização cria um “espelho digital” de um ativo real, como um imóvel ou uma dívida, permitindo sua negociação em plataformas digitais. A grande vantagem é a flexibilidade: os tokens podem ser fracionados em diferentes valores, democratizando o acesso a investidores de diversos perfis.
Essa inovação vem sendo usada para reduzir custos de emissão e ampliar o alcance das captações, que antes ficavam restritas a grandes operações, como debêntures, CRIs e CRAs.
A base legal: Resolução CVM nº 88
Grande parte das emissões tokenizadas aproveita as regras da Resolução CVM nº 88, que regulamenta ofertas públicas de valores mobiliários para empresas de pequeno porte por meio de plataformas digitais de investimento participativo (como o crowdfunding).
Limite de captação: R$ 15 milhões por emissão
Prazo máximo: 180 dias
Empresas elegíveis: receita bruta anual de até R$ 40 milhões e que não sejam registradas como emissoras de valores mobiliários na CVM.
Só no 2º trimestre de 2025, essas operações somaram R$ 2,2 bilhões, crescimento de 69% em relação a 2024.
Vantagens para empresas
Segundo especialistas, o grande diferencial da tokenização é a personalização da dívida de acordo com o modelo de negócio. Enquanto no mercado tradicional as emissões costumam começar em centenas de milhões de reais, a tokenização abre espaço para companhias médias estruturarem captações sob medida para suas necessidades.
O que muda para o investidor
Para o investidor, a atratividade está no potencial de retorno acima da média, já que empresas menores precisam oferecer taxas mais competitivas para captar recursos. No entanto, esse ganho vem acompanhado de maior risco de inadimplência, exigindo análise criteriosa antes de investir.
O desafio regulatório
Apesar do avanço, a tokenização ainda enfrenta lacunas regulatórias. O Banco Central e a CVM reconhecem que a classificação dos tokens é um desafio, já que nem sempre se enquadram nos modelos tradicionais do mercado financeiro. Ainda assim, a legislação brasileira é considerada uma das mais modernas do mundo, superando inclusive a regulação da União Europeia (MiCa).
Conclusão
A tokenização de dívidas surge como uma ferramenta poderosa para ampliar o acesso ao crédito e diversificar investimentos. Para empresas, representa custo menor e maior flexibilidade; para investidores, oportunidades de retorno acima da média — desde que avaliados os riscos.
