Split Payment pode drenar capital de giro e transformar o caixa das empresas a partir de 2027

Split Payment pode drenar capital de giro e transformar o caixa das empresas a partir de 2027

A reforma tributária não mexe apenas em alíquotas e nomenclaturas. Ela altera a engrenagem financeira das empresas. E o chamado Split Payment é, talvez, o ponto mais sensível dessa mudança.

Previsto na EC nº 132 e regulamentado pela LC nº 214, o modelo integra o novo IVA brasileiro, formado por: (CBS) competência federal
(IBS) gestão compartilhada entre estados e municípios
A fase de testes está prevista para janeiro de 2027, começando pelas operações entre empresas (B2B).

O que muda na prática?
Hoje, quando uma empresa vende um produto ou serviço, ela recebe o valor integral e, posteriormente, recolhe os tributos dentro do prazo legal.
Com o Split Payment, o sistema fará a separação automática do imposto no momento do pagamento.

Funciona assim:
O cliente paga.
O sistema identifica a parcela correspondente a IBS e CBS.
O valor do tributo vai direto para o governo.
A empresa recebe apenas o valor líquido da operação.
Simples na teoria. Impactante na prática.
O efeito direto: perda de capital de giro
Muitas empresas utilizam o intervalo entre o recebimento da venda e o pagamento do tributo como fôlego financeiro. Esse “respiro” ajuda a pagar folha, fornecedores e despesas operacionais.

Com o novo modelo, esse recurso deixa de existir.
Resultado?
Necessidade de maior planejamento financeiro
Redução do capital de giro próprio
Possível aumento da dependência de crédito bancário
Pressão sobre margens

Para empresas com fluxo apertado, isso pode significar uma mudança estrutural no modelo de gestão.
E os problemas operacionais?
Ainda existem pontos práticos que precisam de regulamentação clara.
Por exemplo: e se houver devolução de mercadoria ou arrependimento de compra?

O fornecedor não terá recebido a parcela do imposto. Como será feita a restituição?
A legislação prevê mecanismos de “apuração assistida” e devoluções automáticas no mês seguinte em caso de retenção indevida. Mas o funcionamento real dependerá de sistemas eficientes e integração tecnológica robusta.

Combate à sonegação e controle digital
O objetivo do Split Payment é claro: reduzir drasticamente a evasão fiscal.
Ao impedir que o imposto passe pelo caixa da empresa, elimina-se a possibilidade de não recolhimento. Além disso, a reforma amplia o cruzamento automático de dados financeiros, permitindo que o Fisco confronte movimentações bancárias com declarações entregues.

O controle será digital, instantâneo e massivo.
Pequenas empresas terão tratamento diferenciado?
Até o momento, não há previsão de exclusão por porte. A implementação começará nas operações entre empresas e, gradualmente, poderá alcançar outras modalidades de transação.
Isso exige atenção desde já, inclusive para empresas do Simples Nacional e prestadores de serviços.

📌 Organização Contábil Progresso
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