Empresas enfrentam aumento de até 21,55% nos tributos federais: entenda os impactos e os desafios para 2027

Empresas enfrentam aumento de até 21,55% nos tributos federais: entenda os impactos e os desafios para 2027

Mudanças nos créditos fiscais, redução de incentivos e retomada de encargos previdenciários pressionam os custos empresariais. Os efeitos, entretanto, variam conforme o setor e o regime tributário.

Uma análise tributária divulgada em 23 de outubro de 2026 revelou diferenças expressivas entre os impostos federais calculados pelas regras de 2022 e os exigidos em 2026.

O estudo, elaborado pela tributarista Mérces da Silva Nunes e divulgado pela Gazeta do Povo, considerou cinco perfis empresariais, mantendo constantes suas características econômicas.

Os resultados demonstram que o aumento da tributação não ocorreu de maneira uniforme.

1. Quanto aumentaram os impostos?

Perfil empresarial| Variação simulada
Indústria de calçados — Lucro Real| +21,55%
Rede varejista — Lucro Real| +13,17%
Clínica médica — Lucro Presumido| +2,60%
Mercadinho — Simples Nacional| 0,00%
Academia — Simples Nacional| 0,00%

Atenção: os percentuais representam variações dos tributos federais considerados na simulação, e não aumentos gerais das alíquotas ou resultados aplicáveis a todas as empresas desses setores.

2. Como a tributação pode aumentar sem alteração de alíquota?

Uma das principais mudanças envolve o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins.

Desde maio de 2023, o ICMS incidente nas aquisições deixou de integrar a base de cálculo desses créditos.

Na prática, determinadas empresas passaram a descontar valores menores dos tributos devidos, aumentando o desembolso efetivo.

Esse efeito é especialmente relevante para indústrias e grandes redes comerciais que realizam elevado volume de compras tributadas.

3. A folha de pagamento também ficou mais cara

A Lei nº 14.973/2024 estabeleceu a retomada gradual da contribuição previdenciária patronal sobre a folha para setores anteriormente beneficiados pela desoneração.

Em 2026, a transição combina uma contribuição de 10% sobre a folha com 60% da alíquota da CPRB aplicável. Em 2027, a cobrança sobre a folha chegará a 15%, enquanto a parcela da CPRB cairá para 40%.

A conclusão da transição está prevista para 2028.

Empresas com muitos empregados podem enfrentar pressão adicional sobre suas margens e seus preços.

4. Lucro Presumido: atenção ao crescimento do faturamento

A Lei Complementar nº 224/2025 trouxe mudanças relevantes para determinados benefícios fiscais e para a apuração do Lucro Presumido.

Entre os pontos de atenção está a majoração de 10% dos percentuais de presunção aplicáveis à parcela da receita que exceder o limite legal, observadas as regras de apuração.

Isso não significa aumentar diretamente em 10% o imposto devido, mas elevar a base utilizada para calcular IRPJ e CSLL sobre a parcela alcançada.

Empresas em expansão precisam avaliar essa mudança antes de projetar seus resultados.

5. Reforma Tributária: 2027 exigirá novos cálculos

A entrada da CBS em 2027, substituindo PIS e Cofins, acrescentará uma nova dimensão ao planejamento tributário.

Com a implantação progressiva do IBS e da CBS, as empresas precisarão avaliar:

– Créditos tributários efetivamente aproveitáveis;
– Regime tributário e estrutura de custos;
– Impactos na formação dos preços;
– Necessidade de capital de giro;
– Competitividade nas operações entre empresas;
– Adequação dos sistemas fiscais e contábeis.

A comparação entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real deverá considerar também as regras específicas do novo sistema de tributação sobre o consumo.

6. O que o empresário deve fazer agora?

A Organização Contábil Progresso recomenda que as empresas revisem suas projeções tributárias para 2027, com simulações individualizadas.

É necessário comparar a carga tributária efetiva, e não apenas as alíquotas nominais.

Uma empresa pode manter o mesmo faturamento e, ainda assim, apresentar redução significativa do lucro líquido em consequência de alterações fiscais.

Conclusão

O aumento dos custos tributários é uma preocupação concreta para diversos segmentos empresariais. Entretanto, generalizar os percentuais pode levar a decisões equivocadas.

O planejamento tributário precisa identificar quais mudanças atingem cada empresa, mensurar seus efeitos e avaliar alternativas legalmente disponíveis.

Organização Contábil Progresso — tradição contábil, visão estratégica e compromisso com a evolução das empresas.

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Referência jornalística: Gazeta do Povo, reportagem de Fernando Henrique de Oliveira, publicada em 23/10/2026. Fundamentação normativa: Lei nº 14.973/2024, LC nº 224/2025 e legislação da Reforma Tributária do Consumo.

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