Pequenas e médias empresas no Lucro Presumido terão de se reorganizar para não perder dinheiro com o novo modelo de impostos do IVA

Pequenas e médias empresas no Lucro Presumido terão de se reorganizar para não perder dinheiro com o novo modelo de impostos do IVA

A Reforma Tributária vai mexer no coração do sistema fiscal brasileiro e o impacto será direto sobre pequenas e médias empresas que hoje operam no Lucro Presumido. O novo IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que unificará tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS, muda a lógica da tributação: sai a presunção simplificada e entra o cálculo por crédito e débito, exigindo controle total de cada etapa da operação.

Na prática, o modelo atual permite estimar a base de cálculo conforme margens fixas, com pouca burocracia. Mas o IVA funcionará “por dentro” da cadeia produtiva: cada empresa paga sobre o valor agregado e só abate o que tiver de crédito comprovado. Ou seja, quem presta serviço e tem poucos insumos clínicas, escritórios, consultorias, petshops vai gerar poucos créditos e acabará pagando mais.

Esse novo formato favorece empresas com estrutura mais robusta e integradas digitalmente. As menores, que ainda operam com controles manuais, planilhas ou contabilidade sem integração, enfrentarão dificuldades para rastrear notas, apurar créditos e evitar autuações.

O Lucro Presumido não desaparece, mas perde grande parte de sua atratividade. Antes, era o regime da simplicidade. Agora, tende a se tornar o regime da defasagem: quem não investir em tecnologia e gestão vai pagar caro literalmente.

Os ajustes precisam começar já. Cada empresa deve:
1️⃣ Simular a carga tributária comparando Lucro Presumido, Lucro Real e o novo IVA.
2️⃣ Mapear a cadeia de créditos e débitos, identificando fornecedores e clientes com maior impacto fiscal.
3️⃣ Adotar ERPs e automação fiscal, garantindo rastreabilidade e compliance digital.
4️⃣ Rever contratos e preços, para repassar corretamente os tributos.
5️⃣ Treinar equipes contábeis e financeiras, que precisarão lidar com regras mais dinâmicas e cruzamentos automáticos.

O Brasil tem cerca de 1,3 milhão de empresas no Lucro Presumido muitas delas prestadoras de serviço. Para essas, o desafio é sobreviver à nova era fiscal sem sufocar o caixa. Aquelas que se anteciparem, modernizarem a contabilidade e adaptarem a precificação sairão fortalecidas.

No fim, o IVA não será apenas uma mudança de imposto. Será um divisor de águas entre quem se digitaliza e quem desaparece.

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