Reforma Tributária: apenas 9,5% das empresas estão prontas para a transição, revela pesquisa

Reforma Tributária: apenas 9,5% das empresas estão prontas para a transição, revela pesquisa

A poucos meses do início da transição para o novo sistema tributário, um levantamento feito por uma consultoria de relevância no mercado, revelou um dado preocupante: somente 9,5% das empresas brasileiras afirmam estar realmente preparadas para a Reforma Tributária, que começará a valer em janeiro de 2026.

O estudo, realizado com 408 profissionais de 222 companhias, mostra que a grande maioria ainda se encontra em fase de adaptação ou sequer iniciou um plano estruturado para enfrentar as mudanças. Mais de 40% das empresas estão implementando ajustes em seus processos, enquanto cerca de 10% ainda não deram nenhum passo prático em direção à adequação.

Falta de automação e planejamento

A pesquisa também aponta para uma defasagem tecnológica. Apenas 14% das empresas utilizam tax engines, ferramentas que automatizam a aplicação das regras fiscais dentro dos sistemas de gestão (ERP). Esse tipo de tecnologia é essencial para reduzir erros e garantir conformidade diante do volume de alterações  o Brasil registra cerca de 17 mil mudanças tributárias por ano, sendo 60% delas em tributos indiretos, como os que incidem sobre bens e serviços.

Além disso, o estudo revela um mercado dividido entre manter o status quo e inovar: 48,3% das empresas pretendem continuar com seus fornecedores atuais de soluções fiscais, enquanto 41,4% já buscam novos parceiros ou ferramentas mais modernas para enfrentar o cenário de transformação.

Oportunidade ou fardo?

“A Reforma pode ser vista como um fardo ou como um catalisador de produtividade. Quem entender a área fiscal como parte da estratégia de governança sairá na frente na próxima década.”

O que vem pela frente

O último texto da Reforma Tributária  o PLP 108/2024  foi aprovado no Senado no fim de setembro e retorna à Câmara dos Deputados para análise final. A proposta regulamenta a governança e as regras de funcionamento do novo sistema, incluindo a criação do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).

O IBS será administrado por esse Comitê, que cuidará da arrecadação e distribuição da receita entre estados e municípios. Já no âmbito federal, a Reforma institui a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), completando a estrutura do novo modelo conhecido como IVA Dual.

Com menos de três meses até o início da transição, o cenário indica que a maior parte das empresas ainda precisa acelerar sua preparação  tanto na revisão de processos fiscais quanto na atualização tecnológica  para não perder competitividade na nova era tributária que se aproxima.

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